i’m not there : i’m not he / i’m not her; “o eu é uma outra pessoa”... esperando:
- definição,
- estereótipo ou,
- função.
acredite: “Eu sou ele como você é ele como você sou eu e nós estamos todos juntos”. Percebe? A verdadeira divindade é não ser RECONHECIDO: é ser invisível, ‘não-importante’. Como se pode ser ou saber [ e escolher ] o que é o melhor se não sei o que é melhor? se não conheço todas as nuances, todas as categorias e peculiaridades do que está ao redor, do que pode existir? É muita responsabilidade e uma puta megalomania achar – e acreditar – que se tem todas as repostas do mundo, para o bem-estar da humanidade. Pegar para si essa responsabilidade do que é “melhor” é ter consciência que deixou-se de lado uma série de possibilidades… ainda mais… quando se trata de seres com um curto tempo de vida… uns 130 anos e olhe lá.
Portanto… só no momento presente podemos apontar ou saber o que é bom e o que não-é-tão-bom.
É o presente que conta.
O passado – muitas vezes – se torna pior do que foi, e o futuro uma promessa tardiamente descolorida [ou vice-versa].
O que importa – o que realmente importa – mais cedo ou mais tarde volta-se contra nós – para alguns num grau maior ou menor de intensidade: somos acometidos pela culpa, pelo remorso ou decepcção de não sermos “tão bons quanto”. Estas são as nossas prisões polidas e bem cerceadas, adornadas com espelhos dos bons modos e regras bem definidas da etiqueta, que sussuram por entre dentes afiados as sombrias e metálicas ordens do: “tu deves”, “tu tens”… tal qual o dragão de mil escamas douradas…
“judas!”; “eu não acredito em vocês”; “vocês são mentirosos”… pois enquanto você é visto e lembrado, enquanto tu estás em evidência na memória e no pensamento, as pessoas esquecem de viver a própria vida; e passam a te vigiar por todos os lados, esperando sadicamente o momento da tua queda, do teu descuido e declínio… que liberdade existe afinal nesta suposta liberdade que tanto corremos atrás?;
o que é real?… o que real-mente é real?… os impostos e a morte, talvez. mmm… quando alguém perguntar se você pretende mudar o mundo, olhe fixa e profundamente nos olhos desta pessoa. com certeza, ela não perguntará novamente.
“o que o homem mais teme é o silêncio”; é nele – no silêncio – que a autoridade de um homem é posta a prova. através dele nos sentimos minúsculos, desnudos, insignificantes… fique em silêncio ao lado de alguém que realmente te amedronta e verás o quão miserável tu és… o barulho ensurdecedor do silêncio entre você e o outro é terrível de ser suportado … – hárpias – … é o som, o som das carapuças que vestem perfeitamente o momento.
Entao: qual o pior sentimento do mundo?… é a inveja, o rancor, o medo? mas pq categorizar qual o pior sentimento?… se escolhemos um pior é pq todos são piores… percebes que etiquetar algo é ficar preso a :
- um momento,
- uma cena,
- um padrão?…
Mas o que é isso, então?… é uma forma de anarquia?… essa negação da classificação, do estereótipo, do rótulo? Tudo passa a ser solto, e sem sentido e irreal…? Não, não pode… este teclado é bem real, estas roupas são reais… este texto… anh…
Mas… mas… “o que existe de natural são os sonhos. eles estão livres da decomposição da natureza”… decomposição… mmm… então… é uma questão de de-composição?…de quanto tempo dura até se de-compor, se des-fazer… des-aparecer?… s-um-ir ?
neste mundo de conflitos e cisões, onde “o amor e o sexo são as duas coisas que realmente afastam as pessoas. eu nunca entendi o porquê disso”. que coincidência, nem eu entendi e nunca entenderei o porquê… pois “o amor de cristo, de buda, de alá, dos hippies, do escambau nos uniu”… Mas pera aê… o amor de quem mesmo? o quê mesmo?…onde?… anh?






o amor deixa as pessoas expostas
se por aceitação, elas mergulham e ficam magoadas pelo outro ou pela própria fraqueza
o sexo não expõe da mesma forma
mas cada um passa a construir idéias catastróficas ao redor do ato
Muitas vezes isso destrói a relação entre as pessoas. Mas não precisa ser assim (espero).
Beijo
Me parece que nossa singularidade ou ego (não sei se tem diferença), nos mostra uma necessidade de não se esconder, de falar, se expressar, auto-afirmação talves, ou estejamos apenas “enfrentando o medo do silêncio”, talves também dai que venham as grandes músicas, poesias, idéias, etc. (não sei) o problemas é que através dessa exposição ganhamos a atenção dos outros e damos valor a ela pois nos sentirmos valorizados, ai já era, a ilusão está instaurada, algumas pessoas acbam se achando donas da verdade. As verdades da vida sempre estiveram ai, todos tem a capacidade de saber que a terra é redonda, ser o primeiro a descobrir me torna o melhor? Não.
Parece as vezes que se expressar machuca, separa, inevitavelmente expressar-se é se “rotular”
Esqueci o nome do cara, mas ele disse que a terra era redonda e mataram ele, um herege.
Jesus Cristo só falou de coisas boas e deu no que deu. Mais um herege.
A ordem geral é pra ficar calado, pra ganhar o rótulo de civilizado.
O importante é prestar atenção com que intenção se expressa, pra me valorizar ou valorizar os outros, enfim o importante é não ficar calado, pois o silêncio sim separa as pessoas, amor e sexo só separa quando são mentirosos.
é verdade, qdo são verdadeiros, amor e sexo causam reações em cadeia desastrosas:
João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes
que não tinha entrado na história
[C.D.A]
;)
pois é… é só um olhar… entre tantos olhares…
mas qm aprende a tocar o coração dos outros está condenado… a ver sua criação voltar-se contra ele.
talvez pela fragilidade dos laços ou da “crença pessoal” do ser “tão bom quanto”… – e fazer por onde, correr atrás…
aí, pela preguiça, inveja, rancor… [ http://thahy.com/defeitos-capitais/ ]
Bom, o fim… todos pressupomos qual é.
p.s.:o texto foi fruto dos pensamentos gerados pelo filme “i’m not there”, uma onírica biografia do bob dylan.
la belle vert..já assistiu thahy?
tem uma parte que eles apreciam o concerto do silencio….a 1a vez q eu vi essa parte do filem num entendi bulhufas mas depois fez mto sentido…
por isso é bacana ser um curinga
sem naipe, sem #
é questionado por não ter padrão
por não ter padrão, questiona