quando chego no trabalho tenho sempre a mesma sensação: o brasil morreu. já apodrece a algum tempo sobre o sol, onde nem mesmo os abutres querem a carcaça.
uma decomposição lenta e gradual, onde o mau cheiro não dá para ser disfarçado e chega às narinas de toda a população.
iria escrever um texto sobre o gu e a sua inocência infantil. parei para pensar e me assustei:
- será que estou criando-o numa redoma onde lá ele encontra espaço para vivenciar sentimentos e emoções, afastando-o assim da cruel realidade?
- mas ele não tem 4 anos ainda, é uma criança, um bebê.
- Mas e a vida lá fora? A violência, os riscos, os absurdos. E a violência na televisão. E a violência psicológica?
Como criar e educar um filho de modo saudável se estamos imersos nesse caos assustador de incertezas. A duas semanas, quando estava na manicure, a érica me conta que, a 2 quarteirões dali um pai que voltava da escola com a filha teve a menina atingida de raspão por uma bala perdida. Eu, quando estou na capital levo o meu guri e volto com ele para casa a pé. Nunca tinha me passado pela cabeça o absurdo [e a coragem] que é levá-lo à escolinha desse modo.
Mas aí qual é a minha opção? Trancafiá-lo num carro, percorrendo 2 quarteirões e deixá-lo desse modo? Na escolinha já implicam com ele por ser o ‘riquinho’, imagina se começasse a chegar sempre dessa forma? Que tipo de abismo ele já não experimenta nos seus 3 anos e 9 meses de idade? Onde vive numa casa sem agressões físicas, sem agressões verbais, com espaço para lazer, diversão e arte? Que tipo de preconceito ele já não sofre por ser ‘diferenciado’ do mundo à nossa volta? Onde uma criança tem espaço para suas fantasias e sonhos e viagens típicas da idade [reparem no absurdo que isso é! uma sociedade onde a criança não pode mais ser criança...onde ela desde cedo é inserida no mundo adulto, onde passa a desejar sonhos de consumo típicos de adolescentes- adultos jovens]…
No domingo, esperando o início da sessão do cinema [assistam o filme sobre a Edith Piaf... é lindo de chorar!], comentei com o indefinido a raiva que eu tenho desses ‘brinquedos’ para as meninas: maquiagens, celulares, etc. A infância precisa ser cultivada, estimulada… a infância é o nosso tempo para aprendermos brincando. Hoje em dia temos ‘crianças adultecidas’ por falta de oportunidade e estimulação para serem crianças. São conversas sobre a malhação, sobre as namoradinhas e namoradinhos e sobre a vontade de começar a beijar na boca e brincar de médico…isso ouvido da boca de pessoinhas de 7 – 8 anos de idade [meninos e meninas].
Podem me chamar de conservadora, de puritana e do diabo a quatro… mas há algo de muito errado nesse país apodrecido que vivemos. No brasil não há respeito pela infância e pela velhice, por isso….sinceramente… o futuro me assusta.





