29outdespertencimento

palavra longa

difícil de ser pronunciada.

“deixar de pertencer a algo gradativamente…” - racionalmente verbalizo.

é um perder-se lentamente… recolhimento do corpo como um caracol ou casco de tartaruga e andar sem rumo, pelas ruas…

observar as casas e calçadas…sentir o sol queimando a nuca… queimando aquele pedaço de pele reservado aos muito próximos e sentir-se extremamente só.

passar por entre roupas penduradas nas cordas ao longo das calçadas e perguntar-se por um momento o quão absurdo é passar por entre calças, saias e camisolas penduradas sob o sol do meio dia, sem sentir vergonha ou pudor por deixar a intimidade exposta desta forma…

talvez a intimidade também seja uma questão de perspectiva…

o barulho dos passos, a poeira que sobe… o coração acelerado ao ser exigido – subitamente – a bombear mais sangue, ruborizando a face ante o olhar da senhora com um centenário sofrimento.

despertencimento por localizar-se num cenário estranho à própria essência.

permito que meus ideais e valores me definam e reconstruam.

dostoiévski me relembra: ‘como pode respeitar-se , por pouco que seja, um homem que se conhece a si mesmo?’ …

como não rir desse passo-a-passo…do passado… do cheiro de pão a me inundar o sentido… nesse caminho de regresso.

tomo um banho demorado.

escrevo estas palavras, sem buscar um sentido.

sentidos são previsíveis e direcionados… [e como me aborrece as pessoas com sentido... aquelas que teimam em explicar tudo definitivamente e não sabem sequer onde esqueceram a carteira ou relógio]

meus sentidos me inundam, definitivamente já me basta estes cinco, seis… que a natureza me dotou.

só por hoje, não sinto.

absorvo.


  1. 1 marsNo Gravatar24 jan 2008

    Por ser do escalão mais baixo, por pertencer a ralé…não posso dizer que você me deixa orgulhoso.
    Porém se pudesse romperia as correntes da minha voz, além das que prendem meus pés e gritaria que você me deixa orgulhoso.
    como pode, respeitar a sí mesmo aquele que se conhece, sem causar sofrimento e dor a sí a cada pensamento incompleto.

  2. 2 thahyNo Gravatar24 jan 2008

    erros de concordância…

    a voz q ressoa qdo penso não obedece regras gramaticais.

    passo.

  3. 3 Marcela OrtolanNo Gravatar26 jan 2008

    Eu estava precisando tanto ler algo assim… você não tem idéia…

    obrigada!

    beijos

  4. 4 fabianNo Gravatar03 out 2008

    ela me fez vir aqui sem saber

  5. 5 blambertiNo Gravatar29 out 2008

    hm…

    ainda acostumando com este novo formato
    acho q sou mais contrario insconcientemente a mudancas do que consciente do meu conservadorismo, portanto n posso dizer que amei profundamente a mudanca eheh ^^

    mas nao pertencer a nda eh tb pertencer
    sei lah ^^

    parabens heheeh

    abracos

  6. 6 HermesNo Gravatar30 out 2008

    Engraçado… Parece uma narrativa de alguém que anda nu no varal do quintal. :D

  7. 7 thahyNo Gravatar30 out 2008

    e nesse aquario…
    todo mundo é meu amor

    q coisa mais linda…

    amei… S2

  8. 8 LeticiaNo Gravatar30 out 2008

    excelente!

    andei assim, mas agora, nesse novo momento, estou conjugando o verbo REpertencimento :)

    mas discordo do dostoévski…

    sou mais: “como pode respeitar-se a si mesmo um homem que NÃO se conhece?”
    :)

    beijinho!

  9. 9 LeticiaNo Gravatar30 out 2008

    ai ai ai
    meu português!

    REpertencer ficaria mais “binito” postado ali!
    rs

adoraria saber o que voce achou:




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