meu pequeno completará cinco anos na próxima segunda-feira, dia 02.
primeiro relatarei três acontecimentos:
- minha melhor amiga passou no concurso da universidade federal para professora do curso de psicologia! e como é chato crescer: ambas conferimos nossas agendas e só poderemos nos encontrar no sábado, para comemorar!
- hoje, ao pegar as revistas de domingo, notei que uma delas trazia uma matéria sobre o direito da mulher de abortar.
- o dante, me enviou uma música do teatro mágico…
Então… vamos retroceder no tempo, de volta ao ano 2003:
estava na facul de psicologia e tinha uma turma de amigas mui mui interessante… éramos praticamente as melhores alunas – sem ser cdf’s! – cada uma com especialidade e interesse em uma determinada área da psi… a li na clínica, a carol na organizacional, a adê na sexologia, a flá com o psicodrama e eu na social… gostávamos de caprichar nas apresentações e sempre nos esforçávamos para tirar boas notas… afinal: pagar uma faculdade cara para vagabundar não rola, né?! Todas planejávamos em qual área da psicologia trabalharíamos nos futuros mestrados da vida… nosso destino? SP, Canadá, Texas…
Em Julho de 2003 descobri que estava grávida… bom, meu mundo ruiu… Afinal, tinha 21 anos e vi meus planos indo por água abaixo… minhas amigas me apoiaram… meu ex tb, muito. Porém… secretamente rezava por um aborto espontâneo… passei os quase nove meses da gravidez passando por uma baita depressão… procês sentirem o drama: fui fazer o último pré-natal numa sexta-feira e a obstetra marcou a cesárea para a segunda… pois ele corria risco de morte… passei o final de semana desejando que o pior acontecesse. O gu nasceu, no dia dois de fevereiro de dois mil e quatro… 20 dias antes do previsto…
Com o nascimento, tive depressão pós-parto… minhas amigas me visitavam com frequência, preocupadas… a depressão pós parto foi tão - com o perdão da palavra - escrota que não amamentei o gu nenhuma vez. não conseguia olhar para ele… pois ele representava tudo aquilo que não conseguiria mais fazer:
- não faria meu mestrado,
- não iria para o texas,
- não iria ser nada, nem ninguém.
Por ser orgulhosa demais, guardei esses sentimentos de rejeição para mim… pensei em cometer suicídio inúmeras vezes… até então desconhecia sentimento pior do que este… de ter tudo o que se planejou para o futuro desaparecer…
Quando ele tinha quase dois meses, estava dando a mamadeira… sem conseguir olhá-lo…Ele então agarrou meu dedo… e ficou me encarando… foi a primeira vez que olhei dentro dos olhos dele… e percebi que ele não tinha culpa de nada… ele não tinha culpa de ter sido concebido por um descuido, não tinha culpa de ter uma mãe inexperiente com tendências suicidas… não tinha culpa …
Lembro como se fosse hoje: comecei a chorar baixinho… o coloquei no berço e chorei tudo o que não tinha conseguido ainda… chorei tanto, mas tanto… que me senti livre… livre de todas as sensações ruins… livre do auto-flagelo que tinha me imposto…
naquele momento renasci… pois percebi que a vida estava me exigindo… aliás: uma nova vida estava precisando de mim, uma nova postura…
e decidi ser a melhor mãe do mundo para ele.
a depressão pós-parto se estendeu ainda por um período… em 2006 terminei o noivado com o papis do pococho… e segui em frente…
passei num concurso público… e trabalho com psicologia social a dois anos…
hoje, em 2009… agradeço a tudo o que passei… agradeço por ter sentido vontade de abortá-lo… agradeço por ter tido a depressão pré e pós parto… agradeço pelos pensamentos/tentativas suicidas [pois percebo como era imediatista e imatura]… agradeço por tudo de ruim que passei…
porque… se não tivesse sentido e vivenciado o fundo do poço…
se não tivesse que abandonar todos os meus planos…
tudo aquilo que eu desejava para a minha vida…
não daria a ele, ao meu filhote… a importância, o respeito e o amor que sinto por ele… hoje.
se não tivesse conhecido o meu lado negro…
se não tivesse desejado abortar…
pelo medo do desafio e da responsabilidade de ser mãe…
não poderia saborear todo o sentimento maravilhoso que ter me tornado uma, me proporciona…
todo o orgulho que sinto por ter um filhote como ele…
o esforço por pagar uma das melhores escolas para ele… por poder oferecer o que tive e mais além…
foi duro deixar de ser “princesa” para virar uma plebéia.
mas hoje, sinto que… com o meu filho… posso ser a rainha das histórias que ele adora criar…

por isso afirmo: tenha medo quando se deparar com uma situação que lhe assusta. viva teu sentimento com toda a intensidade que merece.
mas confia. confia na vida… confia nos teus atos e, principalmente: não produza o mal a outra pessoa. não acredite nos pensamentos negativos que lhe rondam…
e muito menos acredite na opinião das pessoas mais ‘experientes’ que fazem previsões sobre o TEU futuro e o TEU destino, pois elas – estas pessoas mais experientes e negativas – só possuem as frustrações da própria vida para TE julgar.
por mais que uma situação te assuste, confia na justiça… pode demorar um tempo… mas o gostinho de ter realizado um trabalho bem-feito é maravilhoso…
se não tivesse conhecido o fundo do poço… não seria metade da mãe que quero ser para o meu pococho…
se ele não tivesse nascido… se eu tivesse abortado… talvez estaria muito, muito longe daqui… do brasil… e não poderia dar um belo abraço na minha amiga… a mais nova prof. de psicologia do estado… talvez até tivesse perdido o contato com a dinda dele… que atualmente mora no canadá… e acompanha a evolução desse pedacinho de gente… e com certeza não serviria de inspiração para um poema… sobre filhos… do amigo que me ofereceu essa música:
mãe me diz quem é você
o teatro mágico
Composição: Fernado Anitelli
Donela menina de pano
Linda boneca de pena
Vai parir não vai parar
Crianças de aquarela
Vai criar um coração
de um tamanho que não cessa
Vai cuidar da criação
A flor de filho a pedra e a água
A filha pede a madrugada
Tudo em volta gira e gera
Tudo em volta não espera
Mãe porque o sorvete é de soja
Mãe porque eu não posso dormir sujo
Mãe me diz o que quer que eu seja
Mãe me diz quem é você
Mãe me diz que é Fidel e o que é um Papa
Mãe como você faz pra voar
Mãe porque não mata barata
Mãe me diz quem é você
Mãe me diz quem é você
[ah! esta música foi a inspiração para o post... culpa do dante... que me enviou a música e escreveu um poeminha sobre perguntas de criança... brigada meu querido... vc acompanhou o desenvolvimento do pequeno de uma maneira virtual desde o comecinho, né...]






é, tou chorando, e daí? :-P *imagem de durão escorrendo pelo ralo*
E tou mesmo =) sempre me surpreende qdo eu lembro que vi vc agitando o guri ainda nenê, no colo, toda alegrona, sua coruja. E até onde eu sei, tá fazendo um trabalho fantástico.
(deve ter a ver com vc ser uma mulher fantástica, mas pode ser mera coincidência :-)
:heart:
… nem sei oq dizer… sem palavras… a única coisa q posso dizer é: Obrigado!!
p.s.: lá na comunidade TdC S&H tem um tópico lá onde alguns afirmam q não aprende nada com o sofrimento… vou colocar esse texto para eles lerem…
=*
nossa… é o sofrimento que nos ensina as lições mais duradouras… pode postar sim…
já foi um dos meus assuntos preferidos, por aqui:
http://thahy.com/?s=sofrimento
Tem aquele ditado que a gente so recebe/conquista aquilo que pode aguentar…
Qdo resolvi morar fora foi pra experienciar, descobrir, redescobrir, amadurecer… nao que isso nao seja possivel
perto da familia, amigos, na terrinha, mas sabia que longe de tudo e de todos isso ia ser mais intenso e mais
rapido. Cada conquista eh vivida com uma alegria infinitamente maior, e cada decepcao/perda doi mto, pra cara***.
Ja passei por poucas e boas estando aqui, e sei que ainda tenho mto o que passar, mas vou te dizer: nao me
imagino criando alguem, nao me imagino fazendo um teste de gravidez e vendo o resultado positivo… talvez pq
ainda nao esteja pronta pra amar intensamente, me doar, pra refazer toda a minha vida por causa de uma
pessoinha que vem ao mundo e so pede seu amor, seu carinho, seus cuidados
E por isso que te admiro, miga, mesmo estando em depressao, teve a capacidade de olhar no fundo do
olhinho do Gu e perceber que ele nao tinha culpa, que ele precisava ser cuidado e amado… por levantado a cabeca
e ter aceitado sua nova vida e essa pessoa que vai te amar incondicionalmente e pra sempre… e essa foi
(e continua sendo) sua forma de descobrir, redescobrir, amadurecer…
Talvez o Texas nao esteja preparado pra receber alguem como vc…
@Carol: te amo, xarol…
Emocionante, Thahy, interessante como Deus usa o sofrimento para nos ensinar… sempre que nos permitimos… Que lindo e forte brilho vc transmite! continue assim, tenho orgulho de te conhecer mesmo que virtualmente e pouco! Abraço!!
Engraçado como eu ao contrario de praticamente todo mundo que eu conheço tenho um desejo enorme de ser pai um tanto quanto “cedo”.
Mas assim como vc tenho planos, de fazer outra faculdade depois que terminar a que faço hoje, mudar completamente de área profissional. Um filho agora complicaria muito, até pq eu não conseguiria ficar longe dele nem pra estudar … rsrs.
@Bruno Ferreira: POIS É…
o bom de olhar para trás é perceber como as coisas se encaixam… qdo vc aprende a lidar com as dificuldades e os problemas…
podemos e devemos sempre aprender com o sofrimento… visto que não existe crescimento, sem oposição… :heart:
“Mãe me diz quem é você”
O aprendizado real é sentir na pele, sentir a “dor doer e passar”, mas as marcas ficam, e te lembram quando você mais precisa… [aprender com os erros dos outros não é a mesma coisa]
Ops, caiu uma coisa no meu olho [snif, snif]
sempre nos é dado o melhor…o justo…a justiça é absoluta…
mas as pessoas não conseguem enxergar isso, porque elas não querem olhar pra elas mesmas…pra elas os problemas vem de fora, não de dentro…não percebem que só resolvendo os problemas de dentro é que os problemas de fora desaparecem, pois eles não serão mais necessários…qto mais se aprende, menos experiências são necessárias…
mas aprender por experiências (sofrimento) é o caminho mais longo…o caminho mais rápido é pela meditação (não me refiro a só ficar sentado de pernas cruzadas)…também pode-se aprender pela imitação…
mas só se aprende mesmo passando o dedo sobre a cicatriz… ;)
sabe que eu amo muito ler os comentarios de vcs?
…
brigada…
isso…tem gente que prefere fugir de si mesma e tomar uma dose de morfina do que passar o dedo no machucado…ou fazer uma plástica na cicatriz…(vc escolhe a melhor analogia huauha)
mas eu quero dizer que a cicatriz não é necessária pra se aprender…
claro que é o caminho mais difícil…é didícil olhar pra dentro…é feio…nós somos especialistas em mentir e inventar justificativas pra nós mesmos…mas a possibilidade existe…só depende de cada um…
mas qdo vc entende que sempre te acontece o melhor, e vc começa a olhar pra dentro, chega um ponto que vc passa a agradecer pelas experiências…todas elas..as boas e as ruins…pois elas te dão a possibilidade de ver quem realmente é vc…
p.s – thahy…nós é que agradecemos, por vc dividir suas experiências e aprendizados, e abrir um espaço pra que os outros tbm possam fazer o mesmo…um lugar onde as pessoas têm (acho que esse acento não existe mais né?) a oportunidade de apreender algo sem sofrimento (ou cicatrizes =P)
Fico curioso sobre como o garoto vai reagir quando crescer e tiver discernimento pra entender as experiências da própria mãe. De qualquer forma, admiro a coragem e a franqueza com que você escreve essas linhas…
pois é… tb não sei ao certo… mas respeito muito o meu filho, e sei que uma das melhores formas de lidar com uma criança pequena é esperar que elas façam as perguntas e responder de uma forma franca…
até lá, vou curtindo o meu picocho de gente… que já é o mais grandão da sala :heart:
ai ai …
Poxa, parabens!
Fico feliz por ti e pelo Gu.
Gosto muito de ti guria e te admiro demais :)
Muito corajoso seu depoimento/homenagem.
Parabéns pelas conquistas, afinal você é uma vitoriosa guerreira. Intensa.
Um abraço duplo (em você e no pimpolho)