08julESU*: O que acontecerá quando você morrer?

* Estamos Sós no Universo

Primeiro…

A morte é o fim absoluto de qualquer coisa de positivo: um ser humano, um animal, uma aliança, a paz, uma época, uma amizade… Não se fala da morte de uma tempestade, mas na morte de um dia belo.

Enquanto símbolo, a morte é o aspecto perecível e destrutível da existência. Ela indica aquilo que desaparece

na evolução irreversível das coisas: está ligada ao simbolismo da terra. Mas é também, a introdutora aos mundos desconhecidos dos infernos ou dos paraísos; o que revela a sua ambivalência, e a aproxima, de

certa forma, dos ritos de passagem…Portanto, podemos afirmar que Morte é Revelação e Introdução.

Na Mitologia Grega, Thanatos é filho de Nyx e irmão de Morpheus. É interessante notar que, tanto a morte quanto o sono são – em diversas mitologias filhos da noite escura… insondável e, enigmática ;)

No Tarot, A Morte constitui uma cesura na série de imagens do Tarot, vindo em seguida, os arcanos mais elevados, celestiais, de tal modo que podemos dizer que os doze primeiros correspondem aos pequenos mistérios [escolhas, emoções, aprendizados, etc], e os seguintes os grandes mistérios [onde aprendemos a descobrir e aceitar quem somos e colhemos os frutos que plantamos]. Como o Mago, a Morte corresponde na astrologia à primeira casa do zodíaco [não é coincidência, portanto... ambos lidarem com transformações].

A Morte exprime a evolução importante… o luto – fase de recolhimento e aceitação, a transformação dos seres e das coisas, a mudança, a fatalidade irreversível, a desilusão, o desprendimento, o desencorajamento, o pessimismo [quando não se quer aceitar o fim]

O esqueleto armado de foice, desenhado na lâmina, é suficientemente eloquente para não necessitar comentarios… é uma carta que assusta… quando não se conhece o que está aí representado:

Todo em cor de carne, e não ouro [como nas anteriores], um pé afundado na terra, tem na mão esquerda uma foice de cabo amarelo e lâmina vermelha, cor de fogo e de sangue.

O solo é negro; plantas azuis e amarelas aí crescem; sob o pé do esqueleto, uma cabeça de mulher; ao lado da ponta da lâmina, uma cabeça de homem coroada; três mãos, um pé, dois ossos se espalham por ali…

Mas observe bem: as cabeças conservam sua expressão, como se permanecessem vivas. A da direita traz uma coroa, símbolo da realeza, da inteligência e da vontade que ninguém abdica quando morre. olha para esta mesma direção… para o futuro, o que está por vir… Os traços do rosto à esquerda nada perderam de seu charme feminino, pois as afeições não morrem e a alma ama além do túmulo… Seu olhar nos encara… “O que sei que morreu, que não é mais possível?… o que preciso abandonar neste momento?”

As três mãos que surgem da terra, prontas para a ação [aparentam movimento, não? sem falar na posição ;) ], anunciam que a Obra não poderá ser interrompida e o pé… nos passa a sensação de movimento e de marcha… nada cessa…tudo continua…

É que a Morte tem inúmeras significações. Liberadora das penas e preocupações, ela não é um fim em si [como o ourobóros]; ela abre o acesso ao reino do espírito, à vida verdadeira; mors janua vitae [morte porta da vida]. Morremos a cada mudança, a cada conquista. Morremos para recomeçar e começar a conhecer coisas novas. Matamos valores, adaptamos, nos renovamos.Nem nos damos conta dessas várias mortes que vivemos, vivenciamos, sofremos, não é? Só nos ligamos na morte física do corpo, da carne… e como temos medo dela!

Falo muito e digo sempre: tudo nessa vida é aprendizado. É importante vivermos cada sentimento, cada emoção q nos atormenta, q nos delicia do modo mais sincero possível, pois só assim nos conheceremos a fundo. Do que gostamos, do que não somos capazes…até onde estamos dispostos a ir. Deixando morrer o que não nos é mais necessário, vivenciar o luto e… renascendo mais uma vez.

No sentido esotérico, ela simboliza a mudança profunda por que o homem passa sob o efeito da Iniciação. O profano deve morrer [simbolicamente] para que renasça à vida superior conferida pela Iniciação. Se não morre para o seu estado de imperfeição, impede para si próprio qualquer progresso iniciático… Do mesmo modo, na alquimia, o sujeito que dará a matéria da pedra filosofal, encerrado em um recipiente fechado e privado de todo o contato exterior, deve morrer e apodrecer…

Assim, a décima terceira lâmina do Tarot simboliza a morte em seu sentido iniciático de renovação e de nascimento. Depois do Enforcado Místico, inteiramente oferecido e abandonado, a Morte nos lembra que é preciso ir ainda mais longe e que ela é a própria condição para o progresso… e para a vida.

E… o que acontecerá quando eu morrer?

Se levo em consideração que… desde que fui concebida cada dia que se encerra é uma morte… Então venho morrendo todos os dias a… 26 anos!

Portando, quando morrer… celebrarei a experiência de vida que tive.

Eu prefiro pensar nestas questões quando durmo… e sonho ;)

[A propósito: não teríamos a borboleta se a lagarta temesse virar uma pupa, não é mesmo?! ;) ]


  1. 1 rafaNo Gravatar08 jul 2008

    Engraçado, ontem após ler a coluna do DD e antes de ir me deitar, estava lendo justamente sobre isso…

    refletí bastante sobre o assunto, e sonhei que lia dois livros velhos… não lembro os nomes, mas lembro q ambos falavam sobre a morte…

    “Por muito tempo se confundiu, a partir dos equivocados ideais materialistas, o veículo com o seu condutor , assim como um carro não é o motorista, assim também o corpo humano não é a consciência humana, e sim apenas um veículo pela qual ela se manifesta.

    Da mesma forma que, após usarmos o carro, saímos dele, nossa consciência, após usar o seu veículo de manifestação, sai dele a plena vontade.”

    como algumas palavras ou conceitos, qd analisados mais profundamente, revelam um significado totalmente diferente do que estávamos acostumados a conhecer…

    depois desse texto estou ainda mais disposto a conhecer e estudar o Tarot…

  2. 2 thahyNo Gravatar08 jul 2008

    sincronicidade, meu bem… ^^

  3. 3 RodrigoNo Gravatar09 set 2008

    Aquela velha hist’oria de se fazer um filho, plantar uma ‘arvore e escrever um livro.

    Pra mim é a mudança de meio. Quando deixarmos o corpo ficarão os produtos de nossa vida que carragaram o que desejamos passar adiante.

    Eu quero poder ser alguem que ensina e então meu conhecimento ficará eternizado por muitos. Assim espero.

    Como budista passei a acreditar que a vida não tem começo nem fim. Este talvez seja um ponto do meu lado místico, espiritualista.

    Eu só espero não ter que dar muito trabalho pra quem ficar…
    Não gosto muito de me sentir um incômodo (rs).

  4. 4 AmandaNo Gravatar21 out 2008

    Adoreiiiii
    É mt legal uma pessoa saber o q sera q vai acontecer quando morrer e o q é a morte.
    xD

  5. 5 João Luís do Espírito SantoNo Gravatar21 out 2008

    Não penso na Morte muito à sério… Ela pode se incomodar e pensar em mim muito à sério. xD

  6. 6 HermesNo Gravatar24 out 2008

    Considerando um comentário indiscreto ‘ao cubo’ que foi descartado. O meu modo de lidar com as pessoas, e a reformulação do meu blog, devido, ainda, às inconjuviniências polibotânicas e polipotécnicas, a exportação do bambu e o contrabando da gabiroba, levando em consideração a flexibilidade do rabo da lagartixa e a elasticidade da boca do jacaré… Eu postei uma ‘explicação’ sobre esta carta também. =]

  7. 7 Adelelmo LealNo Gravatar19 mai 2009

    Quando eu morrer /não quero choro nem vela/ só uma fita amarela gravado com o nome dela. Isso aí é um trecho de um samba que eu ouvi há muito tempo atrás. Falando sério quando eu morrer eu irei me fundir ao universo que é a minha essência original, já que a minha vida é micro cósmica, completando o ciclo vital de nascimento,doença, velhice e morte nesta existência, capacitando a um retorno a vida existencial cheio de energia renovada.

  8. 8 TilionNo Gravatar08 jun 2009

    Vejo a Morte como mais uma etapa extremamente difícil de se compreender. Tanto as pequenas mortes de cada dia quanto a grande morte que nos aliviará do peso da carne são de tal sutileza que se nos entregarmos completamente a elas (suicídio, abdicação) seremos covardes, porém se tentarmos evitá-las sofreremos por alienação.

    A vida acaba sendo a arte de entender a morte.

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