Quem aqui precisa de uma explicação para sentir-se bem?
Pq tantas explicações e doutrinas para explicar nossa condição neste planetinha azul?
“Para a maioria, sentir apenas não basta, tái” -me sussuram:
- Afinal, não somos animais irracionais: Sabemos que tudo tem um fim, sabemos que vamos morrer. Conhecemos as doenças, sabemos o que nos traz dor. Criamos dois sistemas básicos para nos dar o mínimo de conforto e garantia de um maior tempo de sobrevivência…
Humm… Por isso temos Religião e a Ciência? Ambas são tão parecidas… buscam explicar somente a vida, o universo… e tudo mais.
então, vamos lá:
religião…
Quando observo o conhecimento religioso, com suas explicações sobre a origem, queda e caminho do homem, sempre me pergunto quem precisa dessa explicação.
é preciso levar tudo tão ao pé da letra para acreditar?!
aliás, pq é preciso acreditar em algo?
Na realidade, quando penso em religião, lembro sempre dos meus preconceitos…
Sou preconceituosa… com os possuidores da verdade e salvação prontas… não gosto de imaginar-me como tendo que pertencer a um grupo que aceita uma explicação sem experenciar, experimentar. acredita-se pq é o correto, e não pq faz sentido… pq dá paz…
não consigo compreender esta necessidade de sistemas religiosos tão punitivos, a ponto de restringir o que temos de mais humano:
- o desejo,
- a curiosidade,
- o erro e o aprendizado.
sem pensar nos seguintes termos: manipulação, coerção e controle.
Nesse sistema doutrinário, pensar é proibido. conhecer-se é errado: todas as formas de auto-conhecimento foram elevadas a um nível perigoso: todos sentem muito medo.
Com uma massa que pensa e age de uma forma guiada, é fácil apontar o destino: trabalhem, não aventurem-se, pague suas contas, pague o dízimo, não faça isso, aquilo, etc.
o desejo é coisa do demônio, aprender a reagir de uma forma inteligente é sinal de anarquia, pensar por si e procurar ser quem se é, é desviar-se dos planos divinos, etc.
deve-se aceitar o que se diz mesmo aquilo não fazendo sentido íntimo algum. [falo dos religiosos xiitas, os que engolem o sistema sem mastigar, vivendo de acordo com o que o padre, pastor ou espírito diz, ao pé da letra: sem procurar mudar hábitos e atitudes, escondendo os 'pequenos pecados' dos amigos e polindo a máscara social, para melhor passar...]
é viver, na minha opinião de um modo esquizofrenico: viver em contradição com o que se deve demonstrar e o que se sente.
não é a toa que tantos religiosos possuem tantos conflitos internos… afinal, não é mole… viver uma luta entre necessidade biológica x comportamento social…
ciência…
um dos brinquedos mais legais que tive foi um lab. de química, uma lupa e um prisma… sempre fui fascinada pelo mundo, por entender como tudo funciona… mecanismos, sistemas… era expert em desmontar eletrônicos e não saber como remontar… hehe
então desde muito nova quis saber o pq das coisas, saber como funcionam, pq isso e aquilo. Mas hj, a ciência ensinada afasta o homem deste contato com o mundo natural. Quando abstraio e penso nela, me vem imagens de homens muito sérios e muito inteligentes, envolvidos em cálculos sem-fim e muito mal-humorados: pessoas entediantes. sem a fagulha criativa… onde algo só é definido, quando se conhece por modo experimental todas suas propriedades, origens, destinos e funções: o mundo passa a ser completamente explicado e, na minha opinião…chato. [preconceitos, mais uma vez].
Claro que, através da ciência e pelos avanços que ela nos proporciona, estamos aqui, eu e vc… neste mesmo ambiente da realidade virtual. O mundo de hj é fantástico, tão fantástico que nem nossos ancestrais mais loucões e imaginativos poderiam criar [talvez julio verne... mas aí é outra história ;) ]
Voltando… esse oba-oba sobre o conhecimento científico e suas verdades também é um sistema coercitivo: para poder opinar, participar e produzí-lo, vc precisa ter uma série de atributos… e abrir mão de uma porção de coisas…
Infelizmente no nosso sistema educacional, a ciência não é estimulada… a curiosidade para esta realidade não é despertada nas crianças… ensina-se matemática de uma forma decoreba e assustadora… fico pensando na maravilha que seria, se a mat. repassada envolvesse filosofia, história, etc. Mas quem precisa de alunos instruidos, afinal… Se eles devem trabalhar, pagar as contas, o dízimo, sem reclamar do sistema…
É incutido em nossas cabeças que, o cientista sempre será aquela pessoa muito inteligente e viciada em estudo, que não vive e que está distante do mundo, desenvolvendo novas maravilhas sem viver uma vida humana. Cientista são elevados a um nível de deidade… [que paradoxo!] Sua palavra é lei… inabalável até que outro cientista comprove por a+b o erro.
sem falar que, também existe toda aquela história: a ciência comprovou que, é fato.
engole-se a verdade científica do mesmo modo que a religiosa, sem questionar ou raciocinar de que forma aquilo é bom ou não para nós: qual é a importância de tal descoberta para a nossa vida.
da mesma forma, somos guiados a pensar e aceitar as coisas, filtradas pela ciência… se ela diz, então é o certo. deve-se aceitar e ponto final. Quando você até tenta mostrar sua opinião, te perguntam: ‘qual é a fonte? que estudo comprova isso, isso e aquilo?’ etc, é realizada a mesma coerção exercida pela religião…
bem-estar…
sou adepta do ‘conhece-te a ti mesmo…’ é dessa forma que me sinto bem comigo mesma, com os que convivo… dou meus murros na parede e tropeço, de vez em quando… mas… ao menos me divirto com a paisagem pelo caminho.
desfruto do meio-termo entre ciência e religião… alguns talvez denomine este meio termo como magia… Sei que não perdi – ainda, um lado meio criança de olhar o mundo com curiosidade e experimentá-lo, modificá-lo para conhecer-me cada vez mais… ;)
Mas olha… Um aviso: Pensar é e sempre foi algo muito perigoso ;)
cicuta, cruzes, fogueiras, guilhotina, tiro, etc…
quem sabe… pq quem pensa… descobre mais sobre si… aprende a silenciar… e, algumas vezes… chega perto de conhecer a vida, o universo… e tudo mais!






só uma crítica… a ciência não busca verdades, mas sim visa a explicar o mundo de que forma que as pessoas possam agir sobre ele de forma mais eficaz. logo, o conhecimento científica é mutável, e todo bom cientista deve ter a certeza de que sua “verdade” é temporária.
beijos!
sim sim meu caro!
[meus preconceitos no texto ;) ]
brigada pela colaboração! ^^
Olá queridíssima Thahy. Com relação ao final do seu texto a resposta é 42, como você bem sabe. ^^
Amanhã comento o restante do artigo com ênfase em um pouco da minha visão sobre as religiões. Uma visão que, vou adiantando, é até bastante positiva.
to amando teus coments por aqui, daniel…
fique à vontade ;)
Vamos lá! (ficou enorme, como não poderia deixar de ser pelo meu interesse no tema) ;-)
Vivi a adolescência e o começo da juventude como integrante de uma comunidade religiosa dita “fundamentalista” (da qual minha mãe ainda faz parte). Na transição para a vida adulta passei por um gradual (mas constante) distanciamento desse grupo. Foi então que o estudo da Religião nas suas interações com o Bem-estar das pessoas tornou-se um tema central e sobre o qual me debrucei por muito tempo.
Quando hoje recordo o que vivi em minha adolescência lembro de pessoas unidas querendo se aprimorar e do cuidado e orientação dos líderes. Lembro, sim, também de tentativas de controle social. Havia, sim, uma condução das pessoas numa série de áreas de sua vida. Medo eu _não_ sentia. Também _não_ sentia a condução dos líderes como uma manipulação, mas sim como cuidado de quem, estando certo ou não na orientação, quer ajudar.
A religião impõe, sim, certas restrições aos que são por ela conduzidos, mas isso não quer dizer que tais restrições agirão em detrimento da saúde e felicidade de quem estiver disposto a segui-las. De fato, há muitas situações na vida em que restrições são importantes (eu recomendo a qualquer um que resista ao desejo de praticar sexo INseguro, por exemplo. As novas restrições da “lei do bafômetro” tb vem sendo aplaudidas exatamente pelas coisas boas que esse maior controle por parte do estado pode trazer).
Vejo hoje as religiões como manuais de instrução sobre como viver a vida. Certamente manuais podem ser melhores ou piores, mas suspeito que os grandes manuais consagrados no mundo de hoje como o Budismo, o Cristianismo, o Hinduísmo, etc. são adotados por muitos exatamente porque tem sua utilidade e seu reflexo positivo.
Esse meu ponto de vista simpático às religiões se apóia também em parte nos estudos acadêmicos. Como diz a Revista Brasileira de Psiquiatria: “A ampla maioria dos estudos de boa qualidade encontrou que maiores níveis de envolvimento religioso estão associados positivamente a indicadores de bem estar psicológico (satisfação com a vida, felicidade, afeto positivo e moral mais elevado) e a menos depressão, pensamentos e comportamentos suicidas, uso/abuso de álcool/drogas. (…) Há evidência suficiente disponível para se afirmar que o envolvimento religioso habitualmente está associado a melhor saúde mental.” (http://www.scielo.br/pdf/rbp/v28n3/2277.pdf) As pesquisas voltadas para a saúde física seguem o mesmo rumo…
Tá bom, que senão cansa, né? um Beijo.
P.S.: esse smile no fim do texto não deveria estar aí…
perfeito…
um ótimo contra-ponto ;)
brigada pelo coment, querido daniel!
Tái! (OK descobri como se pronuncia)
Por acaso você já ouviu falar da Soka Gakkai?
soka do Japonês significa criação de valores e gakkai é associação. Essa associação começou no entre guerras (1930) no Japão, organizada por um educador que visava mudar o sistema educacional das crianças (que na época eram educadas para virarem soldados). depois de um tempo õs fundadores adotaram um linha budista (de Nitiren Daishonin) para reforçar o método de criação de valores.
De forma resumida e um tanto quanto leiga, o princípio é fazer com que as pessoas percebam a importância de se estar vivo, o valor da vida e desenvolverem a coragem em si para superar os desafios impostos pela situação em que vivem. Ao contrário de depositarem “desejos” em alguma entidade externa e aguardarem a benção como foi dito no video introdutório, elas aprendem que em grupo (e somente em grupo) elas serão capazes de despertar a coragem em si, mudar o Karma e ter uma vida melhor. Gostaria muito da sua opinião a respeito!
A ciência, que de certa forma auxilia o entendimento de muitas coisas para que possamos entender nossos problemas e lidar com eles, acabou perdendo a visão humanista (acredito eu) de se desenvolver em conjunto com o desenvolvimento humano. Ela avança mas as pessoas não.
Como você disse Thahy, as crianças (eu também) aprendem tudo na decoreba e não sabem analisar o que estão aprendendo. Ficam fora do desenvolvimento científico.
Eu sou engenheiro, agora que vim para o Japão para estudar percebo o quanto estava alheio do que acontece no mundo em termos de ciência. Não sei dizer se por falta de interesse ou por falta de boa educação…
Quanto a bem estar, eu percebi algo que acredito ser muito importante para que uma pessoa possa estar bem a todos os momentos (ou quase isso). O fato de saber que conhecimento e sabedoria são coisas bem diferentes e que algumas coisas só te incomodarão se você assim as permitir.
Toda, religião pode ser uma boa filosofia, se a pessoa souber analisar o que é dito ou pregado e projetar isso na visão em que foi escrito e como se adaptaria ao presente, à sociedade, hoje! a aceitação pura e sem crítica gera um certo tipo de ignorância, acredito. Ter fé é acreditar que você pode fazer melhor com aquilo que se aprende. É se imaginar melhor no sentido de se estar em paz (talvez). não sei se consigo explicar isso direito.
Anyway, vou usar dois exemplos que talvez ajudem a explicar minhas idéias. Minha mãe estava chateada com as amigas em um casamento pois elas estavam horas falando sobre quanto cada uma gastou no vestido e quem eram os estilistas, enquanto ela comprou o tecido, projetou o estilo e pediu a uma costureira que o fizesse para ela. Primeiro, não existe razão para ela se chatear, pois cada pessoa massageia o ego de uma forma diferente, cabe a ela saber aproveitar daquela conversa o que pode ser útil para uma outra determinada sotuação. O outro exemplo aconteceu enquanto eu assistia o tal the secret. não conseguia ouvir o que se falava no video por causa do barulho que maquinas faziam do lado de fora e me irritei com aquela situação a ponto de não olhar mais para a tela da tv. Quando decidi esquecer o problema, estava na cena em que o rapaz esta de headphone sentado no sofá. Aquilo para mim foi como um tapa de luva! Eu simplesmente coloquei meus headphones e o problema estava resolvido.
Acho que faz sentido…
faz muito sentido… *plim* vc me inspirou pra escrever sobre o tempo!
Explicações…sempre precisei de algumas delas
Já tive muita raiva quando ouvia sobre, ou até mesmo via, atitudes típicas desse fanatismo religioso. Sempre privilegiei a expressão individual, toda aquela história de que cada um de nós é um universo faz total sentido pra mim e, sendo assim, seguir a “lei” que vigora no universo de outro é querer respirar oxigênio em Vênus.
Ainda existe um pouco do inconformismo de ver cenas destas, mas ando percebendo que é muito tênue a linha entre mostrar como isso é errado e impor uma nova visão…
Mesmo assim dou importância ao sentimento religioso, aquele instinto de que há algo além (mesmo que sejamos nós em uma faceta desconhecida).
Entrando no campo da ciência, sempre me interessei por tudo que era ligado às descobertas e porquês científicos. Além disso, como você mesmo disse, eles têm grande importância em vários aspectos da nossa vida. Por isso decidi me aventurar nessa área, aproveitando pra tentar ganhar dinheiro. O que sempre me motivou foi a criatividade, os lampejos, aquele ímpeto por conhecer mais, inovar (sempre fui aquele que fazia perguntas e gostava de chegar até aquele ponto que nem o professor sabia…assim os dois aprendiam :p). Mas justamente quando fui trabalhar no setor de pesquisas (onde eu mais queria) dei de cara com um sistema mecânico de estudos bibliográficos em série buscando resultados e mais resultados…
Ainda não perdi a curiosidade que me fez chegar até aqui, mas assim que possível vou tentar aplicar isso em outra área e algum dia volto…
Por fim (é, sei que ficou gigante, mas a discussão é deveras interessante), bem estar. Com certeza concordo com o seu ponto de vista, Thahy e, se não concordasse acredito que não teria conhecido um monte de gente interessante que esse caminho do auto-conhecimento colocou na minha frente (virtualmente).
Indico a qualquer um que experimente por algum tempo essa chance de saber que há muito mais entre sua mente e o universo do que pensa qualquer filosofia.
a chance de não levar as próprias certezas e verdades tão a sério e experimentar… experienciar…
p.s.: nao sei pq vcs se preocupam TANTO com o tamanho dos comentarios… eu AMO ler… e ADORO quando vcs desenvolvem as idéias e expressam a reflexão nascida a partir da leitura de algo q escrevi…
amei doug… ‘para o infinito e além’… ^^
Para mim, a religião não importa!… A religião deve servir aos homens e não o contrario…Sou budista [membro da Soka Gakkai, tbm....XD] e acredito no infinito potencial humano…Dogmas ou proibições negam a propria essencia humana.
Devemos sim, buscar o q nos torna feliz, mas não será infinitamente mais agradavel buscar a felicidade dos outros ?…
Qdo li seu texto me espantei…Pensamos de forma muito similar, rsrsrs…. Qdo aceitei ser chamado de budista, me perguntei as mesmas coisas… O motivo para eu aceitar?…Entender q essa religião, sobre todas as coisas, defende a vida e sua manifestação….Traduzindo: é religião do bom senso, do caminho do meio, ciencia e religião coexistem por aqui…
De qqr forma, minha opiniao…
uma linda opinião, diga-se de passagem… S2