em psicologia comportamental, existe um experimento chamado ‘desamparo aprendido’:
xulamente explicando, a experiência funciona assim:
Na primeira fase, modelamos os comportamentos que desejamos obter da cobaia [ela aprende a diferenciar respostas que precisam ser emitidas para que determinado evento aconteça]: ao pressionar a barra [lever] X vezes ela recebe comida. Pressionando Y vezes, ela recebe água.
Depois que o bichinho está craque, inicia-se a segunda fase do experimento: por mais que ele pressione a barra X e Y vezes, ele não recebe o reforço [comida e água]. Com o passar do tempo, o animal começa a apresentar novas respostas, como: acender a luz, correr pela caixa e pressionar, morder-se, pendurar-se, etc. Só que a recompensa não vem.
Na terceira fase, ainda com o animal experimentando o ambiente para descobrir como voltar a receber o reforço, ele passa a levar pequenos e sutis choques toda vez que emite um novo comportamento.
Na quarta fase, qualquer comportamento que a cobaia emita será punido [choque]. Após um determinado tempo, ele passa a permanecer o tempo inteiro parado, acuado. Mesmo quando o experimentador libera água e comida na caixa, a cobaia não se mexe. passa a definhar e, geralmente morre por inanição [servindo de alimento para as cobras, no biotério. saudade de vc, maxwell].
…
ok, este experimento pode parecer cruel… mas é o modelo que explica de uma forma científica como a depressão acontece, pois:
- o animal não recebe mais o reforço qdo apresenta o comportamento aprendido.
- ele apresenta uma variabilidade comportamental: passa a experimentar NOVOS comportamentos para obter o reforço e, mesmo assim, não obtem êxito.
- passa a ser punido: mesmo quando está parado.
- quando o reforço é apresentado, o animal não o procura. Para evitar a punição [choque], não emite mais nenhum tipo de comportamento.
o que aconteceu com o rato?
ele sentiu-se injustiçado e está fazendo charminho para o experimentador?
- claro que não.
ele aprendeu que qualquer comportamento que emita, resultará numa dor física. como a resposta natural de qualquer organismo é esquivar-se/fugir da dor, ele fica insensível ao reforço: mesmo sendo uma fonte de prazer e saciedade.
Agora, se trocarmos:
- a palavra cobaia por seres humanos;
- pressionar uma barra X vezes para ganhar comida por trabalhar __ horas semanais;
- pressionar uma barra Y vezes para ganhar água por esforço necessário para atividades prazerosas [sexo, lazer, cultura, etc]
- punição por briga com namorad@ ciument@, puxão de orelha do pai, chefe, nome sujo no serasa, etc.
podemos encaixar conhecidos nossos ou nós mesmos neste experimento, não?
voltando para a nossa realidade… o que observamos quando assistimos ao jornal?
- violência. corrupção. mais violência. inadiplência. violência. ursinho fofuxo num zoológico. terror. números da inflação. propaganda.
e quando conversamos com nossos amigos numa mesa de bar?
- violência. traição. quem morreu. quem acidentou-se. o quanto o custo de vida está alto. violência. amor. safadeza. piadas não requisitadas. poesia. etc
e quando andamos em uma rua movimentada… a pé, no carro, no ônibus, metrô?
- medo de ser assaltado. medo de acontecer algo ruim. contas para pagar. briga com fulano e sicrano. atraso de tal atividade. o amor. etc
e por aí vai…
as vezes, tenho a sensação de que mais e mais pessoas vivem numa caixa de skinner particular passando pelo experimento do desamparo aprendido…
televisão, novelas, notícias… realidade x ilusão…
em quem confiar: eis a pergunta deste século.






Acho cruel bagaraio. Realmente espero que Douglas Adams esteja certo sobre os ratos.
Mas voltando ao texto: poutz! deu até vontade de mudar, now
que é cruel, é.
mas foi um puta experimentou que ajudou na criação de terapias eficazes contra a depressão e, principalmente para a sua prevenção.
psicologia comportamental é linda.
Ora ora, parece que temos uma behaviorista aqui no recinto. É isso mesmo? Se eu fosse apostar antes iria chutar que vc, com essa queda por mitos e sonhos, seguia uma linha Jungiana. ;-) Em tempo, sou formado em Psicologia assim como tu, menina.
É… mundo pequeno…
Nunca havia me colocado na posição de cobaia… mas agora eu entendo tanta coisa que acontece comigo…
Beijos!!
behaviorista radical, analista do comportamento!
hehe
eu amo mitologia, sonhos… mas reconheço que, pro meu metodo de trabalho, seria uma psi frustrada… pelo processo ser demorado e etc etc…
por isso aplico a comportamental qdo atuo na clinica e na área social…
para auto-desenvolvimento, vou de jung ;)
Aff Thahy! Quanto mais te conheço, mais gosto de ti.
O behaviorismo radical foi a abordagem que escolhi para meu estágio na clínica (da UFC). Só que, na verdade, nunca encontrei abordagem que me satisfizesse plenamente. É por isso que para auto-desenvolvimento hoje vou de “Danielismo” :-P
No momento sou “concurseiro profissional”, mas se estivesse clinicando provavelmente me definiria como de abordagem eclética ou algo parecido… Agora preciso voltar pro “trabalho”, outro dia vou querer saber se vc conhece uns amigos meus que tb são behavioristas.
com certeza… do jeito que o clubinho é bem privê!
hehe
haverá sempre chumbo para ser transmutado em ouro… quer seja em crises existenciais ou em doenças; no contrato social ou na conduta individual; no que achamos e o que realmente é…
olha, o experimento é um tanto quanto interessante… mas eu confesso que achei um belo de um absurdo aplicar aos humanos um ratinho dentro de uma caixa com botões que dão água e comida… é só lembrar o nível da consciência do ser humano e a de um rato. o roedor no caso acima adota uma postura passiva… talvez para ele todas as tentativas já tenham sido feitas e não há mais o que tentar, assim como muitos humanos se sentem em diversas situações…
o legal nisso é que vemos a sabedoria primitiva num animal que come queijo em armadilhas e morre… ele faz questão de viver, não apenas existir; diferente de alguns humanos, que persistem em extender a vida, não importando a maneira que essa irá se decorrer. admiro os animais por coisas como essas…
essa reflexão me fez lembrar de um debate na faculdade com alguns estudantes de psicologia sendo criticados, e a fala da oposição era: estudam o comportamento humano como se isso fosse resolver muitas coisas, se focar no efeito quando o problema reside na causa é uma coisa vã…
e confesso, estava na bancada da oposição… essas coisas sempre me levam ao debate que vivo tendo diariamente comigo: “afinal de contas, até quando a Humanidade seguirá dando prioridade as coisas menos relevantes para que seus feitos sejam motivo de orgulho?”
bom, paro por aqui por hoje…
beijos moça
EU SÓ QUERO A RESPOSTAAA…. SÓ A RESPOSTAAA TAAIIII!!!
(lembra? rsrs… ela já leu esse post? Tá meio atrasadinho, mas… rsrs)
Ultimamente até a adrenalina do medo tem sido algo interessante….
Mas para o mim acredito que o sentimento em questão seja mais revolta e não medo…
Não sei opinar a respeito.