[Capítulo V: Lã e Água in Alice Através do Espelho - Lewis Carrol]
Alice ia dizendo “Há alguma coisa errada…” , quando a Rainha começou a guinchar tão alto que ela teve que deixar a frase incompleta. “Ai, ai , ai!” gritava ela sacudindo a mão como se quisesse faze-la voar fora.
“Meu dedo está sangrando! Ai, ai , ai!”
Seus guinchos eram tão exatamente iguais ao apito de uma locomotiva que Alice teve que tapar os ouvidos com as duas mãos.
“O que aconteceu?” quis saber, assim que teve uma chance de se fazer ouvir. “Furou o dedo?”
“Não ainda, ” a Rainha disse, “mas vou furar logo, logo… ai, ai , ai!”
“Quando espera fazer isso?” Alice perguntou com muita vontade de rir.
“Quando prender o meu xale de novo!” a pobre Rainha gemeu; o broche vai se abrir já. Ai, ai!” Enquanto dizia isso, o broche se abriu e a Rainha o agarrou desvairadamente, tentando fecha-lo de novo.
“Cuidado!” exclamou Alice. “Você está segurando o broche todo torto!” E o agarrou; mas era tarde demais: o alfinete escorregara e a Rainha furara o dedo.
“Isso explica o sangramento, vê?” disse ela a Alice com um sorriso. “Agora você entende como as coisa acontecem por aqui.”
“Mas porque não grita agora?” Alice perguntou , com as mãos em posição para tapar os ouvidos de novo.
“Ora, já gritei tudo que tinha de gritar”, disse a Rainha. “Qual seria o proveito de repetir tudo?”
A esta altura estava clareando.
“Acho que o corvo deve ter voado para longe, disse Alice. “Estou tão contente que tenha ido embora. Pensei que era a noite chegando.”
“Gostaria… de conseguir ficar contente!” a Rainha disse. “Só que nunca me lembro a regra. Você deve ser muito feliz, vivendo neste bosque e ficando contente quando lhe apraz.!”
“Só que isso aqui é tão solitário!” disse Alice, melancólica; e à ideia de sua solidão duas grossas lágrimas lhe rolaram pelas faces.
“Oh, não fique assim!” exclamou a pobre Rainha torcendo as mãos em desespero. “Considere a menina grande que você é. Considere a longa distancia que percorreu hoje. Considere que horas são. Considere qualquer coisa , mas não chore!”
Alice não conseguiu deixar de rir disso, mesmo em meio às suas lágrimas.
“Você consegue parar de chorar fazendo considerações?”, perguntou.
“É assim que se faz”, disse a Rainha com muita decisão; “ninguém pode fazer duas coisas ao mesmo tempo, não é? Para começar, vamos considerar a sua idade… quantos anos tem?”
“Exatamente sete anos e meio.”
“Não predcisa dizer ‘exatualmente’”, a Rainha observou. “Posso acreditar sem isso. Agora vou lhe dar uma coisa em que acreditar. Tenho precisamente cento e um anos, cinco meses e um dia.”
“Não posso acreditar nisso!” disse Alice.
“Não?” disse a Rainha com muita pena. “Tente de novo: respire fundo e feche os olhos.”
Alice riu. “Não adianta tentar”, disse, ” não se pode acreditar em coisas impossíveis.”
“Com certeza não tem muita prática”, disse a Rainha. “Quando eu era da sua idade, sempre praticava meia hora por dia. Ora, algumas vezes cheguei a acreditar em até seis coisa impossíveis antes do café da manhã.” (…)
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“Acredito porque é absurdo”, já diria Tertuliano numa defesa de caráer paradoxal de certas doutrinas religiosas citadas com muita frequência. Numa carta de 1864 a uma amiga criança, Carrol advertiu:
Não tenha tanta pressa em acreditar da próxima vez… vou lhe dizer por quê: se você se dispõe a acreditar em tudo, vai cansar os músculos de sua mente e depois vai ficar tão fraca que não será capaz de acreditar na mais simples das coisas verdadeiras. Faz só uma semana que um amigo resolveu acreditar no bicho papão. Conseguiu, mas isso o deixou tão exausto que quando eu lhe disse que estava chovendo [o que era verdade] não foi capaz de acreditar, saindo para a rua sem chapéu ou guarda-chuva, em consequência do que seu cabelo ficou extremamente úmido e um cacho não recuperou a forma correta por quase dois dias.
Leia mais sobre a filosofia e simbolismo por trás das aventuras da Alice aqui no bloguinho:








wow…__acabei de ler ontem "O dia do curinga" de Jostein Gaarder…tb um paralelo (só q com o jogo de cartas, paciencia).
ao ler o post vi uma coisa interessante, ambos criaram obras usando a expressão atavés do espelho. Dai vi no wiki q o Gaarder tb escreveu "Xeque Mate" q me deixou um tanto curioso agora…
nos links do texto tem um video do mickey fazendo uma brincadeira com o através do espelho… as cartas do baralho aparecem e tudo mais…
o gaarder é froids… o dia do curinga é muito bom, só não é melhor do que o Mundo de Sofia… e faz um bom paralelo com a obra do carrel…
p.s.: saudade de jogar xadrez :s
podscre…
Sofia’s World! Sofia’s World! Party time!! Excellent!!!
Party on Thahy..
Olá, adorei seu blog xD Gostaria muuuito de ler o livro de alice através do espelho, mas não acho em lugar algum pra baixar! vc tem? se tiver por favor me mande um email, o link, os sinais de fogo hahhaa
bjs
.-= Mah´s last blog ..Emprego nas férias + história =-.
tenho o livro… ganhei de presente :]
recomendo que compre, pois ele é muito, muito, muuito especial tenho a versão comentada,
que é esta aqui :)