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18fev9 experiências

Psicologia é o estudo da mente humana e do processo mental em relação ao comportamento humano. Sutil como é, raramente a psicologia é encarada como uma ciência estritamente falando, sendo inclusive tratada com certo desprezo pelos especialistas das ciências exatas. No entanto no meio de tantas teorias e hipóteses não refutáveis  selecionamos 9 fatos da psicológia experimental. Experimentos replicáveis e reveladores que mostraram aspectos interessantes e concretos da mente humana.

Alguns desses experimentos abriram caminhos para novas explorações da mente humana, outros por si só fornecem um conhecimento valiosíssimo. Nas chamadas ciências humanas experimentos são um artigo raro que merecem ser valorizados. Vejamos alguns dos mais importantes:

1. Cachorros de Pavlov: Reflexos condicionados


Descrito em 1903 por um médico russo, Ivan Petrovich Pavlov, o reflexo condicionado resulta de um condicionamento comportamental influenciado por acontencimento externos e que portanto podem ser manipulados. O experimento original foi feito com cachorros. Ele tocava uma sineta e, em seguida, oferecia comida ao cachorro. No início, apenas depois que a comida era oferecida ocorria produção de saliva pelo cachorro; depois de algum tempo, ao som da sineta já ocorria a salivação mesmo sem a comida ser oferecida. Reações deste tipo recebem o nome de reflexo condicionado e estudos posteriores provaram que funcionam igualmente bem com seres humanos.

  • Lição: Respostas comportamentais podem ser induzidas por meio de reflexos incondicionados.


2. O Senhor das Moscas: Teoria da Identidade Social


O experimento proposto por Robbers Cave é um clássico da psicologia social e foi conduzido inicialmente com dois grupos compostos por meninos de 11 anos no parque estadual de Oklahoma para quem eram dadas tarefas a cumprir. Ele demonstrou quão facilmente se forma a identidade de um grupo fechado e quão rapidamente este grupo desenvolve preconceitos e antagonismos com quem é de fora.

O pesquisador Muzafer Sherif conduziu uma série de 3 experimentos. No primeiro os grupos se reúnem para combater um inimigo em comum. No segundo os grupos se uniram contra os pesquisadores! No terceiro foi fácil para os pesquisadores fazer os grupos se voltarem uns contra os outros.

  • Lição: Grupos fechados tendem ao antagonismo
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17setpai e filha

tenho visto papai envelhecer. tenho visto as costas doendo, o andar mais calmo, o sorriso menor e mais leve, o cansaço. tenho saudade do papai bravo. saudade do papai questionador. que proibia. saudade de ouvir um NÃO que me roubava xingos, virava praga e depois lágrimas. saudade das brigas, do mau-humor, do PORQUE NÃO e PORQUE SIM que pertubaram minha adolescência. saudade de questionar, espernear, e constatar que ele estava certo: A VIDA É ISSO. MAIS NADA.

tenho visto papai triste. tenho notado minha resistência em aceitar esse envelhecimento. fico desejando que ele saia cedo, volte tarde, encha-me de perguntas, questione os horários, permita e proiba – como sempre foi. tudo isso porque tenho saudade da gente no mar, de andar com os pés nos pés dele, de cantarolar no caminho para a fazenda. _ filha, declarou o imposto de renda? _ pai, você está triste? tenho saudade do papai alto, grande, lindo…

[raquel lemos]

16setmens…

sim, nossa alma menstrua. a alma fica fértil – nalgum momento, a gente é capaz de procriar. e descobre que mamãe estava errada: virar mulher não é ter cólicas nem usar absorventes. sem perceber, a gente dorme criança e encontra a calcinha da alma encharcada.

a gente vai decidindo tudo: o financiamento do carro, o armário de seis portas, aquela viagem há tanto tempo desejada… sem perceber, a gente vai aprendendo a optar, e descobrindo, aridamente, que tudo é um grande jogo de escolhas.

permitir intrusos, aceitar ofensas, abaixar a voz, engolir a mágoa, aquele filho que não fizemos, o casamento que não teremos, o porre perfeitamente escolhido, o banho quente no dia ruim. a alma menstrua, nalgum momento.

a gente se dá conta de que somos responsáveis pelo que nos causam. é dolorido, sim. a gente acorda mais molhada, mais doída, mais distante. mais serena. mais presente. no presente. de repente, acordei assim.

acendi uma vela de sete dias [nem sei se por supertição ou vontade mesmo de que as escolhas sejam iluminadas], coloquei o lixo para fora, tirei aquele cara do caminho, me perdoei pela boa esposa que não consegui ser, senti saudade de um beijo antigo e leve, vesti meu cachecol, escolhi esmalte novo, comprei pipoca com bacon, porque já não é mais possível culpar este ou aquele.

dei-me conta das limitações que são tantas. dei-me conta das escolhas erradas, repetidas vezes. dei-me conta do cansaço que me causo, do sossego que não me permito. dei-me conta de que, sem perceber, a alma menstrua.

e a gente acaba com a cólica de si mesma. do que permitimos aos outros, do que não nos permitimos. enquanto a vela queima, vou queimando decisões erradas mas no fundo, ainda alegre, porque cedo ou tarde, seria preciso que essa alma sangrasse…

[raquel lemos]

31agoira

[Clarice Lispector, in “Para não esquecer”]

“Esta” - se disse o homem ajoelhado como antes de ir para a guerra – “esta é a minha prece de possesso. Estou conhecendo o inferno da paixão. Não sei que nome dar ao que me toma, ou ao que estou com voracidade tomando, senão de paixão. O que é isso que é tão violento que me faz pedir clemência a mim mesmo? É a vontade de destruir, como se para este momento de destruir eu tivesse nascido. Momento que virá ou não, a minha escolha depende de poder ou não me ouvir. Deus ouve, mas eu me ouvirei? A força de destruição ainda se contém um instante em mim. Não posso destruir ninguém ou nada, pois a piedade me é tão forte como a ira; então eu quero destruir a mim, que sou a fonte dessa paixão. Não quero pedir a Deus que me aplaque, amo tanto a Deus que tenho medo de tocar nele com o meu pedido, meu pedido queima, minha própria prece é perigosa de tão ardente, e poderia destruir em mim a imagem de Deus, que ainda quero salvar em mim. No entanto só a Ele eu poderia pedir que pusesse a mão sobre mim e arriscasse queimar a Dele. Não me atendas porque meu pedido é tão violento que me atemoriza. Mas a quem pedir, neste rápido instante de trégua, se já afastei os homens? Afastei os homens, fui fechando as doçuras de minha natureza a cada golpe que recebi, e as doçuras negadas foram se enegrecendo como nuvens simples que vão se fechando em escuridão, e eu abaixo a cabeça à tempestade.

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31agohermandad

vanity - rosie hardy

Sou homem: duro pouco
E é enorme a noite.
Mas olho para cima:
As estrelas escrevem.
Sem entender, compreendo:
Também fui escrito
E neste mesmo instante
Alguém me soletra.

[octávio paz]




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