“Ser adulto é torna-se sério. E a coisa precisa ficar séria”
- susserei baixinho… para mim mesma… ao pé da cama.
Eu sou e me sinto muito sozinha, mas nunca estou só. Sempre estou acompanhada por você, por ele, pelo desconhecido que cruza meu caminho às duas e dezessete da tarde de uma quarta-feira de um mês qualquer.
Tenho amigos, tenho amigas. Mas o que define fulano ou sicrana como alguém que realmente se interessa pelas minhas histórias e vice-versa? É o destino, o acaso ou uma variável contingencial dentro de uma matemática invisível?
Não sei. Meu pensamento tão instável não agüenta questionamentos. Não neste momento.
Solidão. Estive apaixonada por um homem. Estive apaixonada por uma história. Por um filme. Mas é isso: curiosidade, interesse, convenção social. Não foi suficientemente sério. E você sabe: é preciso ser sério.
Eu posso desapaixonar-me e abandoná-lo. Explicarei que não foi real, que não teve química, que o toque me causava náusea ou um puro e abrangente tédio. Poderei trocar um homem, uma história, um filme por aquele estranho que me sorri. O que produziria neste pequeno gesto de troca? Talvez um pouco de Mágoa… quem sabe até alguma infelicidade? Mas… Quem sou eu para julgar o que causei no coração alheio? Mal sei o que passa no meu coração. [nos levamos tão a sério que damos muita importância e não reconhecemos - ou permitimos que o outro perceba - que sair do seu caminho pode ser o maior bem que podemos fazer]
Hoje é noite de Lua Cheia, talvez tenhamos sangue derramado nesta cidade. Não é o momento para decidir.
Apesar de tudo – veja bem: Apesar de tudo nunca brinquei com ninguém. Dentro da previsível imprevisibilidade e superficialidade, nunca olhei para alguém e disse: “agora é sério.” Nunca engoli um coração e compartilhei minha carne, afirmando: “finalmente, por deus, é sério”.
Assim fiquei mais velha. Assim fiquei menos solitária, mas com certeza mais sozinha. talvez preferiria ser solitária… por achar que ser assim é ser mais inteira: “agora sei onde começo, onde termino e até onde posso ir”… em breve talvez me sinta assim. talvez em breve tenha algum controle sobre esta ciranda emocional. Não sei mais se existe destino [na realidade nunca pensei seriamente nisto], mas sei que existe decisão [com conseqüências e desdobramentos...]
Nossa… DESCOBRI ALGO REALMENTE SÉRIO!
Decisões são sérias…pois alteram o curso de qualquer história!
Mas… peraí… antes de alterar o curso é preciso decidir…
Decida, mulher… decida, menina… decida… deScida…
descida para onde, meu deus? Teria eu a sorte de vestir-me de tempo, para não me preocupar com o que virá? Ai, Lua minguante de tristezas… Ontem a noite sonhei com um estranho. Ele abria os braços para me acolher. Seu rosto, magro, me sorria. Por uma fração de segundos no sonhar ,senti que apenas com ele conseguiria ser solitária, solitária por inteiro…
Mas tive medo.
[Se você já foi criança sabe que sentir medo é algo sério, muito sério. A força de um adulto é definida pelo medo superado da infância. E... para ser adulto é preciso ser sério. Você já sabe, não é?]
Medo. Decisão. Seriedade. Solidão. Mas não sou sozinha… Nunca fui: Tenho os olhos de minha avó, o nariz do meu pai, as olheiras de minha mãe. As decisões de uma vida por tomar.
Encare.
Tema.
Decida.
Lua Nova, estrelas no céu.


olha lá





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