I. SINÊS
Como uma folha ao vento sinto-me levada pelos humores: Acordo, às vezes, pintada de um Lilás sereno e com o passar das horas, vou adquirindo uma tonalidade diferente a cada pensamento que me sonda…
Sou Vermelha, Violeta, Cinza, e Negra também… Sou Ciano, Verdejante ou então de um Laranja Irradiante!
Tantas cores, meus humores… Gosto de me ver assim: Colorida e Radiante como ninguém.
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II. GENTILEZA
Gentileza
gera gentileza
gente leza
também.
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III. VIVER
negar
jogar
ter
poder
sumir
ver
vir
estar
ir
chegar
voltar
errar
sorrir
encontrar
te encontrar
amar
perdidamente amar
uma só vez
amar
e amar.
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IV. VIDA
(por quê ela é só de IDA)
ah horas que não passam
mas que passam, sem querer
o tempo que volta e vai
e que volta e vem
sem saber.
crescer é deixar morrer
uma parte de si
deixar para trás
algo que viveu,
algo que sentiu.
Porém, é não esquecer
pois não há como apagar
o que vivemos
pois cada dor
cada grito
e cada sussuro
naquele intricado labirinto
construído,
tudo isso faz parte de nós.
crescer é AMADURECER
perceber, ponderar e
ver que não dá mais
ser do jeito que sempre se quis
afinal…
onde estão as asas
que usava para voar?
em que lugar as deixei?
duro é aceitar
que quando se ganha
se perde.
Maravilhoso porém, enxergar que quando se perde,
também se ganha!
A vida é isso:
Ganhar e Perder – Perder e Ganhar
e tentar não sofrer.
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V. CIÚMES
A palavra não dita
é um abcesso na garganta
fere e arde.
Alarde feito
ferida cauterizada
Cicatriz permanente
exposta a toda hora
do que foi dito,
não dito
porém.
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VI. ANIVERSÁRIO
Me disseram
que a flor da idade
se dá aos dezesseis.
E que o juízo
Ah, o juízo:
Esse só vem
Com os dezoito.
Ah! Ouvi também
Certa vez…
Que a maioridade
Vinha só aos vinte e um.
Ave Maria! Quer saber?
Me dá mais cinco
que te mostrarei
E encarnarei:
A rosa prova generosa,
O juízo desajuizado
E a maioridade imoral
dos meus vinte e seis.
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VII. CONFUSO
o sono
numa lágrima
O bocejo
É o lampejo
que rima.
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VIII. TEM DIAS
tem dias em q ue tudo que precisamos é de um sorriso
de um abraço
ou de um bom aperto de mão
tem dias que
precisamos de uma cafungada no pescoço
de um apertão na coxa
e de uma sacanagem no pé da orelha
noutros dias…
tudo que precisamos é
daquele doce da vitrine
do relógio da revista
ou do curso no exterior
alguns dias
são cinzas e sem graça
outros multicor
mas tem dias
que a tua compania
torna qualquer um desses dias
furta-cor.
nesses dias
o teu sorriso de criança,
a brincadeira imaginária
e as letrinhas alfabetizantes
são toda a minha vida: minha alegria.
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IX. PALAVRAS
palavra
abstrata
rabiscada
lapidada
roída
palavra
dilacerada
maltrata
maldita
seduz
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X. ABISMOS
entre o eu e o eu em mim
ergue-se um desfiladeiro sem fim.
o eu que sente o que o eu em mim reflete
a dor que o eu experiência e o em mim é sentida.
Nesse espaço que me habito
me estranho e desconheço
onde o meu eu grita
e o eu em mim suspira
um grito cheio de vontade
um suspiro suspenso em saudade
entre o eu e eu em mim
Entre deparar-se e preparar-se
olho e reflito em meus olhos
assumo o sorriso
toco em minha, as minhas mãos
os gritos e os suspiros farf






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