aquivo para maio, 2006

24maiC o m p u t a n d o

Mais uma madrúgada, cinco janelinhas piscando do msn… charada resolvida na comunidade mitologia grega… livros, análise de entrevistas e uma conclusão na minha frente…
- Psiu…
- Anh?! Quem tá aí?
- Ora… quem mais…
- Ah meu deus! Aconteceu! Eu pirei…
- Relaxa… te acompanho desde que você nasceu.
- mimimi… eu sabia, sabia… que estudar tanto um dia daria nisso… ai meu deus… no party and no tequila makes thahy go crazy!
- Cala a boca gata! Sou eu, teu cérebro!
- Anh?! Como assim, “teu cérebro”? … desde quando meu cérebro tem voz?!
- Hmmm… é o seguinte, tava pensando no que teu conhecido virtual disse um dia desses e, umas férias no caribe não seriam tão mal assim…
- Anh…
- Pois é, o cerebelo, lembra dele? Ta precisando relaxar, falou com a ponte e eles estão precisando se entorpecer um pouco…as sinapses estão a mil e não aguentam mais de tanta informação… e eu, como sou responsável por essa bagaça fui escolhido pra falar com você…
- An-ham… mas…
- Eu sei, eu sei… dia 05, monografia, entrega… acredite, eu sei.
- Mas…seu cérebro…er, meu cérebro… Meu cérebro… se você for pro caribe…como eu fico?
- Tu nunca assistiu matrix não mulhé?!
- Anh… já assisti tanta coisa… tu sabe…as vezes fica difícil lembrar…
- Pois é, é disso que falo! Eu preciso de férias! Relaxar, estabelecer novas sinapses e tals…
- Ta, então eu vou ficar plugada num software enquanto você, a ponte e o cerebelo vão pro caribe… se entorpecer com umas tequilas… dançar um pouco de salsa…rumba…tcha-tcha-tcha enquanto eu fico aqui?
- Sim, seria basicamente isso.
- An-ham… enquanto vocês estariam em luais, rindo *estruturas cerebrais riem?*, relaxando, tomando coquetéis…
- Isso, vejo que você entendeu… sabe Thahy, tenho muito orgulho de você.
- Bom ouvir isso, meu cérebro… mas, eu posso ir também?
- Não. Claro que não. Esqueceu do prazo de entrega?
- Ah, claro, dia 05. Ok, ta podem ir. Mas, vocês podem ao menos me trazer uma blusinha e tals?
- HmM…blusinha eu acho que não cabe mais… acho que você também poderia mandar esses pneuzinhos a um SPA.
- … cérebro, cuidado. Senão te tranco no calabouço e te entorpeço pra sempre com forró e péssima literatura.
- Ok ok, Thahy! Vou plugar o software…até dia 12! E Feliz aniversário! Estaremos no Caribe!
- Brigada, brigada…E vai antes que eu me arrependa!

ZzZz .
Tuuummmmm
M o n o g r a f i a:
c o m p u t a n d o.

07mai…Como Uma Asa de Borboleta

A natureza é a mestra mais sábia para nos ensinar a lidar com o tempo.

Aprendi uma dessas lições observando uma planta que minha tia plantou para colocar no quintal da sua casa, no interior. Ela plantou na terra, colada à parede, e ela começou a crescer, e se enrolar no muro…

Daquele galhinho mirrado brotou uma planta tão viçosa e tão impertinente que não se detém diante de nada. Cobriu quase todo a parede, alçando-se muro acima e se ela – minha tia – deixasse, iria crescendo até a casa do vizinho, como se pretendesse saber o que existe lá.

Mas não é só isso que ela sabe fazer.

Vez por outra, ela se cobre de flores, que contribui para a alegria do quintal. Mas tanta beleza tem seus dias de tristeza. Vez por outra, ela é atacada por uma terrível praga de lagartas, gordas, verdes, que não fazem nada mais nada menos que devora-la inteirinha, sem deixar uma folha que seja. Essas benditas lagartas, das quais não sei o nome e nem quero saber, provavelmente depois que se fartam das folhas da pobre plantinha se transformam em borboletas e ficam borboleteando por aí, como se nada tivesse acontecido. E a trepadeira fica, coitadinha, reduzida a uma maçaroca de galhos secos e retorcidos, como se um imenso esqueleto vegetal tivesse sido pendurado no nosso quintal não sei com qual misteriosos objetivos.

Mas Deus é grande e a Natureza sabe o que faz. Assim é que, depois de algum tempo, no tal esqueleto começam a brotar aqui e ali minúsculas gemas verdes, que vão aumentando, que vão crescendo, que vão se espalhando e rapidamente ela está lá de novo, em festa, deslumbrante na sua pujança verde e com suas delicadas flores, como cálices de ouro debruçados no chão.

É isso que eu mais gosto nessa planta!

A sua disposição e a sua impertinência para invadir espaços e ocupar todos os lugares a que tem direito quando é tempo de crescer.

A sua dádiva de alegria e de beleza, quando é época de florir.

Finalmente, a calma, a aceitação e o espírito de oferenda com que entrega seu verde corpo à lagarta, para que dele se nutra e nele busque a energia para fabricar as asas multicoloridas de que precisará depois.

A lição que podemos aprender com esta planta não está em livros, nem em cursos, nem em aulas ou conferências. Nela vemos que é preciso morrer para renascer. Nela vemos refletidos os ciclos eternos da Vida e do Destino, e a face imutável da Duração Eterna. E penetrando nesse mistério é possível sentir, tão leve como uma asa de borboleta, o roçar da face de Deus.




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